Passou a misturar todos os refrigerantes em um copo só de vez em quando.
Como era de rotina, acordava, tomava seu banho, bebia café (daqueles bem fortes, que te fazem ficar elétrica), dizia tchau à mãe, e saía. Às vezes quando tinha tempo, ainda brincava um pouco com seu cachorro. Andava alguns quarteirões para pegar o ônibus, e sempre tropeçava numa pedra, e ficava rindo de si mesma. Ela se sentia responsável, como se fosse uma daquelas meninas autoritárias que só precisam dela mesma para viver. Chegava no colégio, e com aquela cara de sono ia até o terceiro andar para ter aula. E como eu disse, todo dia era assim. Talvez ela nunca havia pensado no esforço que faz em seu dia-a-dia, mas ela tinha consciência que precisava se dedicar aos estudos. Não era daquelas moças ricas, sua mãe trabalhava numa lanchonete que não ficava tão longe dali, e sempre fazia questão de pegá-la na escola. A menina via aquilo como um mico, afinal todo adolescente pensa assim, ou pelo menos quase todos. Todavia, a menina tinha uma paixão, daquelas de só pensar no menino, e às vezes se perder em seus próprios pensamentos. Apesar de ela não saber se era recíproco, ela continuava o amando. Ele era daqueles garanhões, daqueles meninos que quando vão numa festa apontam e falam: “Hoje é aquela.” Ela tinha inveja de vez em quando, mas não queria ser taxada por todo o colégio como puta, menina fácil, ou qualquer outra coisa. Na verdade era religiosa, mas não ao extremo. Não era muito de arranjar encrenca, porém quando ficava com raiva, soltava todos os palavrões de uma vez só. Como toda garota, tinha amigas, e tinha uma melhor amiga, na verdade uma irmã de coração. Essa tal “bff”, como alguns chamam, sempre falava para ela correr atrás de seus sonhos, não desistir, e tudo mais. Se ela ouvia? Poucas vezes, na verdade era muito raro ela ouvir qualquer pessoa. Ela era sempre muito contraditória, aprendeu a ser assim com a morte de seu pai, pois nunca aceitou tudo isso. Voltando ao menino, ele tinha olhos castanhos, cabelo num tom de mel perfeito, e apesar de ter fama de pegador, todos sabiam que ele só queria amar alguém. Nunca tinha amado. Só pensava em fazer besteira, nunca quis um relacionamento sério. Seu namoro mais duradouro foi de 3 dias, que ao meu ver chega a ser ridículo. Ele era daqueles que sem perceber, quebrava seu coração e saía. Até que um dia, numa pequena festa que ele tinha sido convidado, a menina também tinha sido. Imagina o que poderia acontecer! Ninguém quer ver um coração se despedaçando. Como sempre, a menina era pontual, e chegou na festa às 8 horas, como estava escrito no convite. O menino? Chegou as 9, e deu a simples desculpa de que perdeu a hora. Nossa, acho que os meninos pensam que as meninas são bobas, fazer o que? Quando a garota o viu, pensou: “E se eu for a menina que ele vai apontar?”. No começo, ela conversava com uma de suas amigas, e o menino, sentado na mesa ao lado, conversava com quase todos da festa, e misturava todos os refrigerantes num mesmo copo, meio clichê, mas foi a realidade. Até que essa mistura toda caiu da mesa onde o menino estava, e o copo caiu perto do pé da menina. Ela simplesmente juntou todos os cacos de vidro, e jogou fora. E ele falou valeu, mas com um tom amoroso. Ela sentiu que na festa, ele ficava a olhando, mas pensou que só fosse mais uma de suas ilusões. Passaram-se dias, e a menina ainda o amava. Depois de muito tempo, ela fez aniversário, mas não teve a mínima vontade de comemorar […] Vendo TV, parou no canal de notícias, o que não era muito comum, e prestava muita atenção nas palavras do repórter. Tinha algo falando sobre um menino bêbado que bateu em um carro, e estava internado em estado grave. Já no final da reportagem, eles falaram o nome do menino, de que escola era, falaram tudo. E era Cauã. A menina chorou, chorou e chorou, pois tinha certeza que era seu amado. Ela queria ir até o hospital vê-lo, mas não foi. Pensou, e falou para si mesma: “Ele não deve nem lembrar de mim, o que adianta eu ir até lá?” E permaneceu em casa, ligou pra sua amiga e desabafou. Desabou, na verdade; de novo, sua amiga disse para ela ir até lá, e ela não escutou sua amiga, como o previsto. Então, a polícia ligou para a casa dela, e falou que precisava que ela fosse até a delegacia. Passaram milhares de coisas em sua cabeça, principalmente em relação ao garoto, contudo ela ignorou tudo e correu, ansiosa para entender o motivo da polícia tê-la chamado. Chegou até lá, e uma moça chamada Roberta a levou até a sala de um dos policiais, acho que era aqueles que são os mais importantes, como um tipo de chefe. Antes que ela pudesse perguntar o que havia acontecido, o policial deu uma folha, com um texto digitado. Ela começou a ler: “Não quero ser mais esse garoto que todos falam que é galinha, não quero mais que pensem que eu não amei, nem que seja por um dia. Quero que todos saibam que dentro de mim ainda resta algo que me salva. Quero que todos entendam que minha vida não é só feita de coisas fáceis. Nunca fui muito de escrever, mas do jeito que estou sei que vou acabar no hospital. Tenho bebido demais, mas é como um vício, não tenho mais controle sobre mim mesmo. Mas… na verdade escrevi isso para falar de uma menina chamada Rebeca. Ela não deve nem saber que eu existo, ou sabe, enfim. Desde o dia da festa em que ela estava lá, e eu derramei aquela mistura de refrigerantes em seu pé, não consegui parar de pensar nela. Aposto que ela não reparou o quanto eu a olhava. Não sei se ela reparou também que logo depois que eu a vi, eu passei a não ser mais “o pegador” da festa. Quer saber? Eu a amo, apesar de nunca falar com ela, apesar de nunca tocá-la, eu a amo mais que a mim. Consegui o número dela através de um amigo nosso, mas cadê a coragem? Nunca vou conseguir ligar ou até mandar uma mensagem. Tenho medo, essa é a verdade. Mas agora, você que está lendo isso, ligue para ela, o número está salvo nos meus documentos, bem do lado desse texto e diga que eu a amo, diga que eu sempre a quis para mim, e dê essa carta a ela. Te amo, pequena.” Quando acabou de ler, a folha já estava toda molhada por conta de tantas lágrimas. Quando ela ia sair correndo para vê-lo, o policial disse que não adiantava mais. Com aquela voz de homem, ele disse: “Ele morreu, faz umas 5 horas.” A menina não conseguia parar de chorar, e só pedia a Deus que um milagre acontecesse. Mas não, ele realmente não estava mais aqui. Mesmo chorando todos os dias, a menina seguiu em frente. Mas ela ainda se arrepende, de ter deixado de tomar iniciativa, para conseguir conquistar seu primeiro amor.
(via his-adiction)
Carta de Suicídio:
Primeiramente, o motivo de minha despedida talvez seja a grande bola de neve que minha vida é. Não sei muito bem o que falar, afinal, na minha cabeça vocês nunca irão sentir minha falta. Essa bola de neve, na qual eu havia dito, pode até ser que seja paranoia, se bem que acho que não. Ninguém demonstra carinho ou outro tipo de afeto por mim, foi desse jeito que eu resolvi fazer isto. Vivi a vida em pouco tempo, lutando por coisas diversas que não iriam me ajudar em nada. Só arranjava desculpas para qualquer compromisso, acho que por vergonha, ou pelo simples fato de não poder ir. Agora, quero falar um pouco com quem deixo meus pertences. Aos meus pais, que cuidaram de mim até agora, eu devo minha vida. Eu sei que parece estranho, já que isso é uma carta de suicídio, mas é isso. Meus pais merecem tudo que eu poderia ter, ou seja, minha vida. E lógico, um abraço apertado, bem emocionantes, daqueles de partida. À minha irmã, quero deixar minhas bonecas, para ela se lembrar de mim quando puder. À minha única vó, deixo minhas roupas, aquelas bem aconchegantes, como eu ficava quando estava em sua casa. Aos meus amigos, deixo minha televisão, meu computador, meu celular… Tudo que seja de valor. Pois eu sei que nenhum deles vai aceitar isso, ou melhor, os verdadeiros não irão aceitar. Nessa hora eu queria poder ver todos eles, para saber quais são os falsos. Mas isso não vem ao caso. Aos meus outros parentes, deixo coisas mais simples, porém que são dadas com muito prazer. E ao resto, deixo leves abraços e beijos, de uma pessoa que só quer os ver bem. Já estou sentindo saudades, não sabia que seria tão difícil. Fico pensando em alguns momentos, em que eu chorei, em que eu sorri, em tudo. Fico pensando desde o momento que eu nasci, até o momento que eu cheguei aqui. Penso no fato de eu conseguir passar de ano, por sempre ser uma aluna com modos, ou não. Estou rindo, e chorando. Não quero mais lembrar do quanto dói, do quanto doeu viver nesse mundo cruel. Eu sei que muitos de vocês vão acabar sentindo uma dor, como uma falta que nunca mais vai poder voltar. Esses sim, eu amo. Amo com todas as minhas forças. E aqueles que só fingem estar mal, que irão no meu enterro só por estar, vocês não prestam. Mas agora não é hora de reclamar de nada, agora eu tenho que ir. Deu minha hora já faz tempo. Ouço algumas vozes do além, talvez seja um aviso. Entretanto não vou parar, tenho que continuar. Tenho que morrer. Não mereço mais ficar entre vocês. Então, novamente, não se esqueçam do quanto eu amo alguns de vocês. Ou melhor, amava. Meus pêsames a todos. Adeus. (t-oxica)
(via his-adiction)
Você não tem medo de perdoar. Você tem medo da pessoa cometer o mesmo erro e você passar por tudo novamente. Não é verdade? ∞
(via meninaincompreendivel)
Lembre-se: Antes das vitórias conquistadas, existem barreiras a serem vencidas. ∞
(via meninaincompreendivel)
(Source: falsoromeu, via breakablehear-t)
(Source: sentimento-indomavel, via meninaincompreendivel)

